Pesquisar este blog

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Depois do Paraíso - Episódio IV


O Faraó, o sacerdote e a armadilha.

 
 
Imagem da internet.
 
 
Episódio escrito por Ricardo Netto.




 


Algum tempo depois...

 

 Para ela que aprendera com o tempo que para sobreviver precisava ser uma predadora implacável e como ninguém, dominava o jogo da sedução entre os homens, não foi tarefa difícil chegar ao trono do império e sentar-se nele como única e soberana rainha. Havia dominado e domado a alma do Faraó, que se embriagara com sua exuberância demoníaca.

No entanto, viver à sombra de um simples mortal que posava de “deus”, não estava em seus planos. Sua alma ambiciosa almejava mais. Enxergou no sacerdócio ao deus Seth, um caminho útil que a pouparia de suas fugas noturnas para o deserto em busca do sangue humano para manter-se viva. Afinal, ali mesmo no altar daquela divindade eram oferecidas, crianças e jovens virgens à entidade sanguinária.

O perfume que exalava de seus poros, embriagou as narinas do sacerdote, que naquela noite não conseguiu se concentrar cem por cento na liturgia do culto. Durante alguns momentos, os olhos dele ficaram perdidos na figura intrigante da rainha no Nilo. Entre um sacrifício e outro, pensamentos libidinosos invadiram sua cabeça e ele em vão, tentava refutá-los. Lilith, astuta e conhecedora da alma humana como era, o seduziu em silêncio durante todo o tempo em que esteve ali. Saiu estrategicamente durante a cerimônia, sua cabeça maquinava cada passo do plano ao qual havia dado início naquele exato momento. Era inteligente e de pensamentos rápidos, possuía de verdade a essência das serpentes em sua alma de mulher.

Em sua alcova de luxo, Murdock não conseguia tirar a imagem de Lilith de sua cabeça, ela entrara ali para só sair quando o enlouquecesse de vez, era assim que fazia quando possuía de paixão a alma de algum homem. O corpo negro e robusto do sacerdote estava enterrado até o pescoço em uma tina de água fria, tentava aplacar aquele fogo que o possuía e que o fazia arder de desejo. Conseguira um pequeno êxito com aquela atitude, mas o domínio da mente estava além daquele mecanismo de vasoconstrição causado pela frieza do líquido onde se encontrava mergulhado. A cabeça estava totalmente ocupada por desejos carnais.

Da janela de seu quarto, Lilith observava as estrelas ao longe, nesses momentos sua mente era ocupada por lembranças do Édem, onde começara sua maldição como vampira. Por vezes, sentia-se fraca e solitária, jogada naquele mundo dominado pela sede de sangue. Mas, quando respirava fundo, e fechava os olhos, espantava aquela fragilidade e sua alma era dominada por um poder que fazia sentir-se superior aos demais. O preço que pagara por seu erro fora grande, mas ficara com a vida eterna.

Alimentava a cada dia o seu ódio e prometera para si mesma que faria de tudo para destruir de qualquer maneira que fosse. A raça humana. Uma vingança eterna com aqueles deuses do Paraíso que não foram capazes de perdoá-la. Mas da forma que vinha agindo até aquele momento, apenas cumpria a sina a qual Eles impuseram sobre ela. Estava pensando seriamente em algo maior. Criaria uma nova raça, assim que conseguisse o sacerdócio de uma vez por todas.

 

 

As semanas foram passando e a aproximação dela com sua mais nova presa fora feita de uma maneira lenta e metodicamente calculada. Somente quando se sentiu absolutamente segura para dar o bote final, agiu.

A alma de Murdock já não pertencia mais a ele, não tinha mais controle sobre suas atitudes e já não pensava mais nas consequências e no preço que pagaria, caso fosse de verdade para a cama com a rainha. Não aguentava mais a mente possuída dia e noite por aqueles desejos.

Ela estava sozinha e nua, sentada sobre a cama, coberta apenas por um fino lençol de seda branco. O Faraó por sua vez divertia-se no arem com suas concubinas. Era o momento certo para fazer o que planejara durante todo aquele tempo.

Sabia que Murdock entraria exatamente pela sua janela, como havia sussurrado ao seu ouvido alguns dias atrás. Também combinara com sua fiel serva, que claro, daria um fim depois. Para que o pobre chamasse o Rei, assim que essa escutasse o som de algum objeto de porcelana tocar o chão. A mesma estava com o ouvido pregado à porta do aposento real.

O sacerdote entrou ofegante, a escalada pela parede até entrar naquele quarto, não fora uma missão tão fácil. Mas, finalmente estava ali, bem diante daquela mulher que se tornara dona de sua vida. O grau e excitação dele aumentou, quando ela se colocou de pé e jogou o lençol ao chão, deixando seu corpo cheio de curvas à mostra. Ele simplesmente perdeu o resto do juízo que trouxera na cabeça. Arrancou suas vestes com urgência e agarrou a mulher, jogando-a na cama. Estava cego e embriagado ao mesmo tempo, feito um bicho no cio.

O quarto foi invadido por um pequeno grupo de guardas e pelo próprio Faraó. A serpente olhou profundamente nos olhos do Senhor do Nilo, como quem suplica por socorro e deixando claro em seu olhar que havia sido obrigada e deitar-se na cama com aquele porco. Jogou-se teatralmente aos pés do marido e chorando compulsivamente disse:

- Ele usou de violência para me possuir! Não fosse por minha criada esse monstro teria me matado! – Gritou, mostrando o braço e o rosto que estavam cheios de hematomas, como que formados por socos e pancadas. Na verdade ela tinha o dom de controlar a coagulação sanguínea e concentrá-la onde bem entendesse, na hora que lhe fosse conveniente. Mas  o imbecil do marido não a conhecia tão profundamente.

Outras servas entraram nos aposentos e tiraram a rainha daquele cenário. Murdock, totalmente atordoado com toda aquela situação, não teve tempo nem de se defender. Arrastado para o corredor do palácio, aos gritos, foi executado ali mesmo, pelas mãos do próprio rei, que decapitou a cabeça do infeliz com sua própria espada.

Uma semana se passou depois de todo o ocorrido e Lilith ainda estava isolada em seu quarto, fingindo uma reclusão por causa do “trauma” que sofrera. Até aquele momento conseguira executar seu plano da forma que imaginara em sua cabeça perversa. Os poderes que possuía não eram poucos e estava aprendendo a usá-los a seu favor. Agora, só restava o sacerdócio. Seus anseios mais audaciosos estavam próximos de se concretizarem. Com o domínio do Templo de Seth, criaria uma nova raça sobre a terra.

Sentia-se preparada para finalmente tornar-se semelhante aos Elohins, como o arcanjo Ben-Shakar dissera para ela no momento em que a seduzira para comer dos frutos proibidos do Édem.

“Você se tornará semelhante a Eles, conhecedora do bem e do mal”.

 

 

Continua...



Ricardo Netto é: Administrador desse Blog
Escritor do livro: Os senhores das sombras - O legado de Lilith
Criador e revisor dessa websérie






 
 
 
 
 
 



Segue abaixo link para você adquirir o livro do autor: