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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Contos ufilógicos II

Abdução?

 
 
 
 
 
 
 
 


Imagem da internet.








Acordou com febre naquela manhã, mas como filho mais velho tinha de cumprir sua obrigação de levar o almoço do pai em seu local de trabalho. Os tempos eram outros e as dificuldades da vida não permitiam fraquezas. Estar em estado febril era apenas um pequeno detalhe.
A mãe preparou a marmita e enrolou em um pano de copa de algodão cru e de uma tonalidade muito branca, colocou dentro de uma sacola de plástico e entregou para ele. Beijou seu rosto com carinho e ficou em pé, no parapeito da porta observado, enquanto ele se distanciava.
Francisco tinha por volta de quatorze anos, franzino e usava um par de óculos pesados, devido o seu alto grau de miopia.
“Não vai dar tempo de chegar”. – Pensou aflito.
O sinal sonoro da usina tocou ao longe e ele pode perceber que já era meio dia, assim que pegou a estrada de terra que o levaria até seu destino. Apressou os passos. O pai deveria estar com fome, afinal saíra cedo de casa para a labuta diária.
Sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo, daquelas que as febres trazem como sintomas. Diante de seus olhos um clarão enorme. Na sequencia, uma pequena bolha de vidro desceu diante de seus olhos.
“Delírios de minha febre”. – Imaginou com o coração acelerado.
Começou a andar mais depressa, porém, uma voz feminina e conhecida o chamou pelo nome, olhou para trás tentando reconhecer quem era.
- Entra! Te dou uma carona! – Disse a voz.
O garoto não teve tempo de pensar no que realmente estava acontecendo, entrou no veículo guiado pela voz conhecida. A paisagem passou diante de seus olhos na velocidade da luz. As vistas escureceram.
O pai o abraçou e agradeceu pelo almoço. Francisco não entendeu como havia chegado até ali tão rápido, do jeito que estava andando na estrada só chegaria ao seu destino em meia hora no máximo. Porém, gastara exatamente um minuto. Do ponto onde lhe ofereceram carona até aquele momento diante de seu pai.
- Está tudo bem? – Perguntou seu progenitor.
- Sim, só estou com um pouco de febre. – Respondeu atordoado.
- Então volte pra casa.
Abraçou o homem mais uma vez e saiu na direção da estrada.
Ficou o dia inteiro em silêncio, deitado na rede e indisposto. A mãe acreditava que era apenas por causa da febre. Mas, como contaria para ela o que havia acontecido em seu trajeto até o trabalho do pai. Uma luz, um transporte em forma de bolha, uma voz conhecida, o tempo que chegara ao seu destino. Por certo, ela o tomaria por louco, ou creditaria aquela história ao seu estado de saúde. Fechou os olhos e adormeceu.
Três horas depois acordou com uma ideia fixa na cabeça. Pegou um pequeno pedaço de lápis e começou a esboçar alguns desenhos em um caderno usado que possuía algumas folhas vazias. Rabiscou alguns traços, que no final do resultado, ele mesmo achou estranho. Pareciam plantas externas e internas de uma espécie de nave espacial. O coração bateu forte e ele lembrou-se dos homens prateados que vira em seus sonhos enquanto estava dormindo naquela rede.
 
 
 
Ricardo Netto é administrador desse Blog.
Escritor do Livro: Os senhores das sombras - O legado de Lilith.
Criador e revisor da websérie: Depois do Paraíso.
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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